06/04/2018 RaceRoomers Portugal Sem comentários

Está prestes a começar a nova competição que irá animar os turismos a nível mundial. O WTCR é o sucessor do WTCC, que nos últimos anos foi definhando, devido à exigência financeira das suas máquinas. O formato agora adotado é mais barato, menos complicado e mais apelativo para equipas privadas e até para as marcas, que têm assim uma forma relativamente barata e eficiente de promover os seus carros de gama média, embora não o possam fazer de forma directa. Um palco onde todos deverão ter oportunidades iguais de brilhar em que os maiores beneficiados são… os fãs.

 

O fim do WTCC e o começo de uma nova era

O WTCC, no seu último formato não era um mau campeonato. Os pilotos eram bons, havia algumas marcas envolvidas, os carros eram fantásticos e o calendário tinha pistas muito interessantes. Mas os custos de produção e desenvolvimento das máquinas era tremendo (bem acima de um milhão de euros). Um campeonato claramente feito a pensar em marcas, que não vingou porque a Citroen não deu a mínima hipótese de sucesso aos adversários e assustou os possíveis interessados. Apenas a Volvo teve coragem de se juntar a Honda e à Lada na perseguição aos franceses, mas já numa fase em que o interesse se ia desvanecendo face a inevitabilidade das vitórias da equipa gaulesa. 2017 foi o canto do cisne, já com o abandono da Citroen e da Lada. Embora tenha sido um ano muito bom de seguir, com corridas entusiasmantes e luta pelo titulo até ao fim, o destino do campeonato estava traçado e apenas 16 carros em pista era manifestamente pouco para as ambições da FIA e do promotor. Era preciso mudar.

Foram várias as soluções propostas, mas a utilização da regulamentação TCR era a que fazia mais sentido. Uma competição mais barata, mais equilibrada com um BoP que permite que todos os carros tenham possibilidade de vencer e um leque de máquinas de várias marcas. Juntando isto à máquina promocional do WTCC, a receita tinha tudo para dar certo. As partes interessadas chegaram a acordo e o WTCR teve assim luz verde.

Uma mudança que foi vista de forma positiva pela quase totalidade de todos os intervenientes. Mesmo o facto de a maior competição de turismos ter passado de um campeonato para uma taça do mundo (a regulamentação TCR não permite a presença de forma directa das marcas, factor exigido num campeonato do mundo) não esmoreceu o entusiasmo que esta nova proposta trouxe.

 

 

O Formato

 

O formato do fim de semana foi revisto para esta nova era. A grande novidade passa pela introdução de mais uma corrida por ronda, com um total de três provas. No sábado, além dos treinos livres, teremos uma qualificação de 30 minutos (40 em traçados citadinos) e uma corrida. No domingo teremos uma qualificação com três partes (Q1, Q2 e Q3, à semelhança do que existia no WTCC). A Q1 terá a duração de 20 minutos (30 nos citadinos) e determina os 12 pilotos que passam à Q2, que terá 10 minutos (15 nos citadinos) onde ficaremos a conhecer os 5 pilotos que irão para a Q3 para definir o top 5. A segunda corrida do fim de semana terá grelha invertida e a terceira usará os resultados da segunda qualificação para formar a grelha. O sistema de pontuação para a corrida 1 (27-20-17-14-12-10-8-6-4-2) será diferente da pontuação da corrida 2 (25-18-15-12-10-8-6-4-2-1) e da corrida 3 (30-23-19-16-13-10-7-4-2-1). A qualificação no domingo dá pontos aos 5 mais rápidos que passam à Q3 (5-4-3-2-1).

 

Devido à não presença oficial das marcas, o conceito de MAC3 foi logicamente colocado de lado, mas em compensação, surgiu uma novidade interessante, com a introdução do conceito MVD, ou seja, o melhor piloto do fim de semana, um prémio patrocinado pela Tag Heuer que irá premiar o piloto que melhor pontuação tiver no total das três corridas. Outra grande novidade confirmada na última quarta feira é a transmissão online de forma gratuita da primeira qualificação e corrida do fim de semana via redes sociais ou pelo site da Oscaro em vários países, incluindo Portugal. As corridas de domingo serão transmitidas como habitualmente. Desta forma, o WTCR volta a misturar o melhor do TCR (que tinha transmissão ao vivo nas redes sociais) e do WTCC (com uma grande equipa de produção).

 

O Calendário

O calendário do WTCR usa essencialmente a base do WTCC do passado. Há algumas novidades para este ano, mas na grande maioria as pistas serão as mesmas que vimos nos últimos anos no campeonato do mundo de turismos.

A primeira ronda decorrer já no próximo fim de semana em Marraquexe (Marrocos). Segue-se Hungaroring (07/08 na Hungria) de Abril, Hungria), Nurburgring (10/12 de Maio, Alemanha), e à terceira ronda temos a primeira novidade com a entrada em cena de Zandvoort (19/21 de Maio, Holanda). A quinta prova, que marca o meio da época será novamente em no Circuito de Vila Real (23/24 de junho) a última prova em solo europeu. A partir daqui a caravana do WTCR começa a fazer muitos mais quilómetros com a visita ao traçado de Termas de Rio Hondo (04/05 e Agosto, Argentina). Segue-se uma dupla jornada na China, com uma corrida em Ningbo (29/30 de Setembro) e a estreia do traçado citadino de Wuhan (5/7 de Outubro). A penúltima ronda será feita em Suzuka (27/28 de outubro) e o grande final está marcado para o Circuito da Guia, em Macau (15/18 de Novembro).

É um calendário com grandes pistas, especialmente na primeira metade do ano, com a visita a circuitos que os fãs e pilotos gostam muito. A estreia de mais um circuito citadino em Wuhan está a gerar muita expectativa e as duas últimas jornadas com as passagens pelo fantástico traçado de Suzuka e pela mítica Macau serão sem dúvida momentos marcantes. Mas o Autosport pode confirmar com algumas das várias pessoas presentes que a ronda de Vila Real é encarada com grande entusiasmo também. Foram vários os jornalistas e pilotos a lembrarem as fantásticas imagens da festa portuguesa, havendo quem considerasse um dos pontos mais altos do campeonato do ano passado. O espetáculo pode sair beneficiado com estes carros e o calor dos fãs portugueses irá por certo fazer novamente a diferença.

 

Os pilotos

São 25 os pilotos que estarão presentes a tempo inteiro no WTCR. As últimas confirmações foram conhecidas na semana passada e agora temos uma perspetiva geral do que poderá ser o campeonato. Em teoria é uma mistura de experiência, com juventude, sempre aliadas a muito talento. É uma das grelhas mais interessantes dos últimos anos com grandes nomes, estreias e regressos ao mais alto nível:

5 – Norbert Michelisz – HUN – BRC Racing Team – Hyundai i30 N TCR

7 – Aurélien Comte – FRA – DG Sport Compétition – Peugeot 308TCR

8 – Norbert Nagy – HUN – Zengő Motorsport – Cupra TCR

9 – Tom Coronel – NED – Boutsen Ginion Racing – Honda Civic Type R TCR

10 – Gianni Morbidelli – ITA – Team Mulsanne – Alfa Romeo Giulietta TCR

11 – Thed Björk – SWE – Yvan Muller Racing – Hyundai i30 N TCR

12 – Rob Huff – GBR – Sébastien Loeb Racing – Volkswagen Golf GTI TCR

15 – James Thompson – GBR – Münnich Motorsport – Honda Civic Type R TCR

18 – Tiago Monteiro – POR – Boutsen Ginion Racing – Honda Civic Type R TCR

20 – Denis Dupont – BEL – Comtoyou Racing – Audi RS 3 LMS

21 – Aurélien Panis – FRA – Comtoyou Racing – Audi RS 3 LMS

22 – Frédéric Vervisch – BEL – Comtoyou Racing – Audi RS 3 LMS

23 – Nathanaël Berthon – FRA – Comtoyou Racing – Audi RS 3 LMS

25 – Mehdi Bennani – MOR – Sébastien Loeb Racing – Volkswagen Golf GTI TCR

27 – John Filippi – FRA – Campos Racing – Cupra TCR

30 – Gabriele Tarquini – ITA – BRC Racing Team – Hyundai i30 N TCR

48 – Yvan Muller – FRA – Yvan Muller Racing – Hyundai i30 N TCR

52 – Gordon Shedden – GBR – WRT – Audi RS 3 LMS

63 – Benjamin Lessennes – BEL – Boutsen Ginion Racing – Honda Civic Type R TCR

66 – Zsolt Szabó- HUN – Zengő Motorsport – Cupra TCR

68 – Yann Ehrlacher – FRA – Münnich Motorsport – Honda Civic Type R TCR

69 – Jean-Karl Vernay – FRA – WRT – Audi RS 3 LMS

70 – Maťo Homola – SLO – DG Sport Compétition – Peugeot 308TCR

74 – Pepe Oriola – ESP – Campos Racing – Cupra TCR

86 – Esteban Guerrieri – ARG – Münnich Motorsport – Honda Civic Type R TCR

88 – Fabrizio Giovanardi – ITA – Team Mulsanne – Alfa Romeo Giulietta TCR

 

O que esperar?

Há muito tempo que um campeonato não criava tanta expectativa. Depois de termos estado em Barcelona e vermos o estado de espírito das equipas e dos pilotos, somos obrigados a apontar o WTCR como um dos campeonato a ter debaixo de olho em 2018. As máquinas vão  permitir muita luta, os pilotos não vão estar tão preocupados com a componente aerodinâmica, e poderão ser mais agressivos, nem à moda dos turismos. É uma espécie de regresso ao passado que se saúda.

Favoritos? Há, mas é um conceito diferente do que estamos habituados. Não se esperam domínios avassaladores de uma equipa ou um piloto. A regras do jogo são feitas para que o equilíbrio seja nota dominante. Os Hyundai e os Honda serão as máquinas mais fortes, seguidos dos Audi e dos Golf. Os Cupra, os Peugeot e os Alfa vão depender mais do BoP para ter condições de lutar por vitórias.

Quanto a pilotos, a lista é tão grande e tão extensa que  é difícil destacar alguém. Há seguramente 20 pilotos com argumentos e capacidade para lutar por vitórias.

 

O BoP

Já foi conhecido ontem o BoP e pelo que vimos os Audi é o carro que ficou  talvez um pouco mais prejudicado embora pelo que fomos sabendo a diferença de 10 Kg não é demasiado grande. Os Hyundai e os Golf são os carros que se seguem na tabela dos mais pesados,  e nos mais leves teremos os Alfa, os Peugeot e os Honda. Poderá parecer estranho ver um dos melhores carros com menos peso mas os Alfa e os Peugeot poderão rodar com mais potência em relação aos outros (102.5%) enquanto os Honda levaram uma redução na potência ( passando a operar a 97.5% da potência base).

 

O primeiro fim de semana não será o ideal para tirar conclusões pois o traçado é muito especifico e há ainda carros que precisam de amadurecer um pouco mais, mas já teremos com certeza um grande espectáculo a seguir.

Fonte: Autosport

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